colunas
 


Daniel Batera entrevista ZÉ MONTENEGRO


ENTREVISTA COM ZÉ MONTENEGRO:

Data: 27/08/2006
Local: Workshop em Niterói - RJ

1) DB - De onde surgiu a parceria de fazer workshops com o Aquiles Priester (ANGRA) em turnê por todo o país?

ZÉ - Essa idéia surgiu de uma pessoa de Porto Alegre. Vou contar desde o início. Saiu de Porto Alegre o Nenê, um aluno meu, que me convidou através do Rodrigo de Castilhos, o dono da Urban Boards, pra montar um calçado. Montei o meu calçado e convidei o Aquiles, que eu já conhecia a muitos anos, a fazer o dele. Quando ele montou o dele nós tínhamos que divulgar esse trabalho. Nós nos juntamos e estamos viajando. É bem simples a coisa.

2) DB - Como vocês estão enxergando essa união de 2 trabalhos tão diferentes? Sei que tu curte Jazz, Bossa Nova, Salsa e ele é do Metal…

ZÉ - Com a maior naturalidade possível. Ele está aprendendo a gostar e a entender mais o meu trabalho e eu estou aprendendo a aguentar e a entender mais o trabalho dele. É a coisa mais lógica que existe. E são dois profissionais, da parte dele principalmente, da minha já estou com 30 anos (de carreira), trabalhando juntos, fazendo música, que é o que interessa, mas com vertentes diferentes. Só isso.

3) DB - Mas tu se via a 2 anos atrás com tanto Heavy Metal na cabeça? Sei que teu filho ouve esse tipo de som direto e inclusive deixa os CDs perdidos dentro do teu discman…

ZÉ - Não. Na verdade eu nunca pensei que eu ia ver tanto “chipô” (Hi-hat no RS) aberto em toda a minha vida (risos), e tanto pedal duplo. Nunca! Às vezes eu penso que eu estou fora da casinha. Quando eu vou tocar me sinto meio fora da casinha. Eu toco coisas completamente diferentes, então… mas eu estou acostumando, através do meu filho, que é Heavy Metal, e faz semicolcheias a 230 Bpm. Já é um absurdo o que ele está fazendo agora. Matheus Montenegro, o mundo vai conhecer. E o Aquiles, que é um absurdo em termos de técnica, velocidade. Então, eu estou nessa aí, indo junto, mas eu na minha e eles na deles, claro.

4) DB - O que você gostaria de destacar em seu kit? Algo em especial que tu possas destacar, dizer qual a marca e o porque que tu gosta?

ZÉ - Bom, dentro do kit que eu executo eu gosto de tudo. Mas eu estudei muito caixa. Essa caixa me fez gostar desse instrumento como eu não gosto de nenhum. Mas em todo o kit o que eu mais gosto é a caixa. A marca é Adah. A Adah está fazendo umas caixas pra mim. Independente dos modelos que estão saindo, uns protótipos pra eu usar. Claro, eu estou ajudando eles dizendo como eu gosto de uma caixa, o tipo de aro, a esteira, profundidade, madeira.

5) DB - Então vai sair uma caixa da Adah assinada por Zé Montenegro?

ZÉ - É… provavelmente saia. Já estão feitas as combinações. Mas se sair tu vai ser o primeiro a saber viu. (risos)

DB - Eu e todos que acessarem a tua entrevista aqui no site Daniel Batera!
ZÉ - Todo mundo! (risos)

6) DB - O que tu acha da idéia do Fórum dos Mestres aqui do site Daniel Batera? Inclusive te incluindo dentro desse fórum, discutindo os mais variados temas, mas só com pessoas realmente entendidas do assunto, com bateristas profissionais.

ZÉ - Bom, primeiro lugar: Esse título “mestre” quem está dando é um grande irmão que eu tenho, e amigo, chamado Daniel. Mas ele sabe que o Mestre, Mestre mesmo quem é, que é JESUS. Mas a idéia de botar pessoas que têm experiência pra falar e responder, bah!… pra mim vai ser uma honra e eu acho que vai ajudar um bocado de gente, um bocado de bateras que estão começando e que vão poder tirar suas dúvidas mais rápido possível, sem esperar chegar o workshop, ou esperar na quinta-feira que tem aula. O cara acessa ali e tem a resposta quase que imediato. É maravilhosa a idéia.

7) DB - O que você tem ouvido ultimamente?

ZÉ - Nada! Não tenho tempo nem de me ouvir mais. Infelizmente eu não tenho tempo de mais nada. Amanhã eu estou louco pra ir pra casa pra ver minha mulher e meu filho. Não consigo ouvir nada agora. Faz uns dois meses que eu não consigo botar um fone no ouvido pra ouvir nada a não ser que seja dentro do workshop. Mas eu sinto muita falta de ter aquele tempo pra mim, pra eu estudar, pra eu sentar, ouvir meu som, que eu sempre gostei. Sempre gostei de tudo que é som, desde Funk à Big-Band, desde Bossa Nova à Salsa, mas agora não consigo mais.

8 ) DB - Mas então me diz da última vez que tu conseguiste parar e sentar pra ouvir alguma coisa, o que tu ouviste? Algo que tenha te influenciado no que tu tem tocado. Tenha te dado algo de diferente, uma idéia diferente no que tu tem tocado atualmente.

ZÉ - São duas pessoas. Uma é chamada “Phil Druscow”, o qual eu conheci pessoalmente, e a outra é um cara chamado “Gerald Albreygy”. Duas pessoas que já me influenciaram muito na vida, mas não com bateria né?! Um canta e toca trompete, e outro toca saxofone. Mas o cara que mais me influenciou na bateria foram dois, Buddy Rich e Vinnie Colaiuta. Esses dois foram os que mais me influenciaram. Ouvi outras coisas sempre, Art Blakey ouvi quando era pequeno, mas esses dois foram duas pessoas que eu gostava na maneira de se comportar na bateria em cima do palco.

9) DB - E dentro desse mundo de influências que tu citou (Vinnie Colaiuta e Buddy Rich), qual foi exatamente a influência que teu pai (Argus Montenegro) teve sobre ti no teu aprendizado de bateria?

ZÉ - A influência foi toda! O pai sempre me deu um referencial desde pequeno. Ele foi meu referencial, foi a pessoa que me conduziu no caminho que eu queria seguir. Ele foi a influência minha, do Kiko Freitas, do Nenê (Batera de São Paulo). Ele foi a influência de muita gente. Então o que eu tenho pra dizer é que ele praticamente me incentivou e iniciou um monte de músicos famosos que tem por aí.

10) DB - Das novas tecnologias que têm surgido, o que mais tem influenciado pra te ajudar e facilitar o teu trabalho?

ZÉ - Nada! Pra fazer meus workshops não consigo usar nem uma mesa do meu lado. Então eu estou tentando aprender a usar a tecnologia pra tocar bateria. Os meus amigos como ” Rodrigo, O  Charon”, o próprio Aquiles, pessoas que trabalham com som, que trabalham nessa parte estão me ensinando a trabalhar com isso. Eu venho de uma outra história, de tocar de noite, em boca de jazz, tocar com isso, tocar com aquilo, Big-Band, não precisa de mesa, não precisa de microfone, Adat, MD. Eu não sei mexer ainda.

11) DB - Mas eu notei em teu workshop que tu já usa um I-Pod, uma tecnologia nova e que facilita a nossa vida em vários sentidos. Isso não tem te ajudado?

ZÉ - Olha, têm me ajudado. Mas eu não usei ainda né?! Até agora o CD está funcionando. Se tiver que mexer no I-Pod alguém vai ligar pra mim, começa por aí. Vai dizer, “aperta aqui” e continua até o final. Então eu o trouxe só em caso de cair no chão o meu CD, ou arranhar, alguém pisar em cima, aí eu tenho o I-Pod. O que eu sei é que tem que plugar em cima ali, né?! E apertar e ele vai dizer “Welcome to I-Pod”. É isso aí que eu sei. E eu descobri que “welcome” é “bem-vindo” (risos).

12) DB - Nos momentos em que tu não está trabalhando, que agora devem ser bem raros, e que não está tocando com ninguém, o que tu gosta de tocar? O Zé Montenegro, numa sala fechada, tocando pra si mesmo. Me diga aquilo que te dá mais prazer.

ZÉ - Samba, Salsa e Jazz. Essas coisas que eu gosto de tocar só pra mim. Mais nada.

13) DB - Se tu pudesse indicar um único CD pra essa galera nova que está curtindo o teu trabalho, que CD tu indicaria?

ZÉ - O meu, a partir de dezembro. (risos) A Partir de dezembro está saindo um CD meu com 12 músicas. Provavelmente um DVD também junto, incluído. Mas eu estou brincando. Tem tanta coisa pra ouvir. O Cláudio Infante me deu um CD dele agora que quase caiu os “Butiá” do bolso né?!(risos) O Aquiles me deu um trabalho dele, que não tem nada a ver com isso aí, é uma outra história (Freakeys). Tem tanta gente gravando, tem tanta gente tocando aí fora, eu não sei. Não sei te dizer. Ouçam de tudo! Toquem de tudo pra poderem sustentar suas famílias. Estudem tudo, com todos. Isso que é o canal. Brasileiro é assim né?!

14) DB - Pra fechar nossa entrevista eu e todos que estão lendo essa entrevista gostaríamos de saber: Quais são seus planos pra 2007?

ZÉ - Cara, eu não sei nem o que eu vou fazer amanhã. Amanhã eu estou preocupado em voltar pra Porto Alegre. Como é que eu vou sair do hotel. Como é que eu vou chegar lá. Se a minha passagem vai estar lá. Planos pra 2007 são muitos. A divulgação do CD, o meu livro que estou terminando de escrever. Os meus planos tem que estar junto com alguma coisa que é um referencial pra mim hoje em dia, chamado Urban Boards. Eu e o pessoal da Urban Boards, que é a Beta, a Raquel, o Rodrigo, são três pessoas que entraram na minha vida e me alavancaram. Estão me alavancando. Estou tocando do lado de pessoas maravilhosas, revendo amigos como tu de novo (Daniel Batera), que fazia tempo que a gente não se via (mais de 2 anos). Então eu tenho certeza que os planos pra 2007 a Urban Boards tem que estar comigo. Isso é certo!

































2 Comentarios...

Luiz Carlos Machado

janeiro 21, 2010 @ 3:33 am

Sou testemunha da luta e do talento que possui o Zé,reconhecido hoje mundialmente.Fico mais feliz ainda por ele estar conseguindo escrever a história do pai,Argus o qual tive o privilégio de cantar sendo acompanhado por ele.Cantar é pouco,quando se tem a oportunidade de participar junto dessas pessoas iluminadas,Abraço Daniel e parabens pela tua iniciativa,

claudio vinicius vilanova

julho 16, 2010 @ 10:33 pm

eu claudio vinicius achei que o zé montenegro é um máximo mesmo. não conhecendo ele . é ligico !
a foto em que ele esta numa bateria de 9 pratos é inpresonantes é muito bom . mesmo é show de bola ?

Deixe seu comentário